27.9.10

Sorriso secreto

e pela segunda vez o destino lhe acenava...

Escolher e decidir

será que esse mundo me acolhe?
esse mundo que não me pertence
esse que eu vejo só de longe
e que oferece tantos sonhos e brechas

é um receio estranho de escolher
tomar um rumo e deixar outro
e quem sabe não voltar
ou quem sabe ficar e...

esperar não dá mais
esperar eu não quero
sim, sou impaciente e daí?
decidir por mim ninguém vai.

19.9.10

Paris, je t'adore



Agora eu entendi. Todo aquele amor pela cidade mais linda do mundo. Entendi porque tantos idealizam, tantos sonham ou escrevem sobre ela. Sei que quando fiz minha primeira visita a Torre Eiffel, eu respirei aquele ar como se pudesse prendê-lo para sempre em meus pulmões. Sim, sou mais uma dessas bobas apaixonadas pela mais bela paisagem em que pousei os olhos.

Não sei nem explicar. Paris não é uma cidade perfeita. Tem pobreza, mendigos pelas ruas, estrangeiros em empregos vulneráveis, vivendo à margem das leis e da dignidade. E sim, existem os parisienses blasés, como o pessoal da área de fumantes do Deux Moulins, ou os garçons impacientes com turistas quebrados que teimam em sentar nos Cafés... 

Mas Paris é muito amor. É linda. Respira cultura, história. Tem museus e galerias por todos os cantos. As pessoas leem nos metrôs, nos parques, se vestem bem, e sim, são educados. Cheguei a ter um dia de depressão quando voltei para casa. Eu lembro da vista do alto da torre... aquela cidade branquinha e charmosa... as lágrimas me veem aos olhos involuntariamente. 

Diferente de outras capitais europeias que conheci, Paris possui a história que mais ficou marcada na linha do tempo da humanidade. A Revolução Francesa, queda da Bastilha... inclusive o chão de uma praça foi feito com as pedras da bastilha, para que todos os dias o povo pudesse pisar sobre o que um dia foi o marco do Absolutismo. E mesmo assim, o povo que forjou os ideais de igualdade, fraternidade e liberdade, acabou abraçando a megalomania de Napoleão alguns anos mais tarde...

Andando pelas ruas de Paris, a grandeza de sua história e personagens salta aos olhos. O parque de Mars -  ou Marte, o deus da guerra - em frente à escola de militares e os memoriais de conquistas adornam a cidade que hoje vive em aparente paz... Todos esses aspectos se misturam em minhas lembranças. Estão fragmentados e somados às imagens oníricas de pôr-do-sol à beira do rio Sena ou o borburinho do anoitecer em Montmartre. 

Ah, o fim de tarde. Os homens voltando do trabalho com um pacote da baguetes ou mulheres levando flores. Os cafés lotados. A cidade luz iluminada. A música nas ruas. A Torre Eiffel brilhando com milhares de luzes piscando como vagalumes. O frio fora de época. Os lenços e cachecóis nos pescoços. Paris me fez apaixonar. Como há tempos eu não me apaixonava.

11.9.10

E agora?

Terceiro dia sem sono. Difícil voltar a realidade. Diferença de horários. E no fundo uma angústia. Então era isso. Ela comprovou que o mundo era maior do que imaginara. E muitos estavam nessa mesma jornada de conhecimento. Se sentiu pequena. Se sentiu perdida. Mas se sentiu muito viva. Queria mais.

Mas até que pudesse tentar de novo, teria que voltar pro trabalho, pro cotidiano pequeno, para as vida real e pacata. Queria a coragem de alguns. Principalmente pra mudar de vida. O que tinha agora parecia tão... insosso perto do que havia além dos horizontes.

Agora ela entendia tanta coisa. Principalmente o porquê de muitos não voltarem. Estava triste. Mas teria que esperar. Tomar fôlego para o próximo voo.

8.8.10

Paixão

Me apaixonei pela vida
e quero possuí-la
com as mãos cheias
e com o corpo quente
me envolvi com sonhos
me perdi em ousadias
planejei alto
para colher estrelas
me agarrei a ilusões
só pra provocar euforia
e agora ela pulsa
a vida vadia
que me faz querer dela
somente alegrias

29.7.10

Ela está indo embora...



Malas prontas. Bilhete dobrado deixado sobre a mesa. Abre a porta dos fundos. Sente o vento soprando os cabelos. Despede-se de olhos fechados e sem olhar para trás. "Adeus". Pais, irmãos, amigos. Ficam todos em seu passado. Não por falta de amor. Mas porque os ama muito, mas também ama a si mesma. Cansou de conhecer o mundo por livros e televisão. Cansou de definhar vivendo uma vidinha pequena. Queria experimentar o mundo e ninguém poderia fazer isso por ela. Queria desbravar fronteiras como Odisséu, seu herói. Se perder mundo a fora. Conhecer pessoas novas. E um dia, quem sabe, voltar. Mas não sem antes arriscar tudo. Toda saudade e obstáculos poderiam ser suportados. Eles eram inclusive esperados. Queria viver além dos limites. Ela estava indo embora...