26.1.11

eu, você e nós

esta sou eu
sem jogos, maquiagem,
sem invenções,
esta sou eu
aceitando as respostas,
sem vontade de mudar o curso
esta sou eu
olheiras, dois quilos a menos,
sabendo quem sou
este é você
fechado em certezas,
trancado em suposições
estes somos nós
uma fantasia solúvel,
desmanchada com o vento

20.1.11

Água

Quero abafar essas notas
afogar esse som
sufocar essa música
não quero mais ouvir

junto da melodia, a lembrança
esquecer essa letra, essa trilha
deixar pra traz as memórias
e compor minha própria canção

30.12.10

2011

Vem chegando devagarinho, e com ele, peço toda a paciência e tolerância que me faltaram em 2010. Peço sonhos maiores e mais ambiciosos, pois os pequenos todos eu realizei.
Mas peço muito mais pelos meus amigos. As rochas que me mantêm firmes. Meus amores mais amados. Tudo que de mais certo e verdadeiro esteja para eles. Que contem sempre comigo, e que nas distâncias, saibam que meu pensamento está com eles, meu amor, meu carinho.

12.12.10

A substituta

Não. Ainda não fazia muito tempo que a mala desocupara a soleira da porta. Ela se foi num breve adeus e numa partida sentida. E ela partiu meu coração. Mas ela não era insubstituível. Não era nenhuma Linda McCartney, a companheira perfeita. Talvez fosse a mais imperfeita das mortais. Ou assim queria que fosse para sentir-me menos rejeitado. Palavras chulas me vieram a mente.
...
Mas assim como ela foi, outras vieram. Ninguém como ela. Perfeitinhas demais, eu diria. Não possuíam a mesma arrogância, a mesma ousadia. Até me perceber vasculhando motivos fúteis para despedir-me também delas. Transitórias. Passageiras. Ninguém pra permanecer no posto imaculado de ideal. Que grande besteira.
Logo, me vi apegado à última substituta que me restara. Era a solidão, minha nova companhia.

2.12.10

2010

Dá azar comemorar antes da hora? Bem, eu não sei. Mas eu queria dizer que 2010 foi incrível pra mim, digno de retrospectiva. E vai que acontecem mais coisas incríveis antes que o ano acabe? Ainda tem um mês inteiro! Foi um ano de aprendizado, de bater muito a cabeça na parede. Sim, ninguém é perfeito, muito menos 365 dias. Chorei muito (talvez o ano mais lacrimoso da minha vida). Mas também me diverti muito :)

Comecei o ano amando a vida, amando todos, pra logo aprender a não confiar em promessas. Passei muito tempo com amigos, acampando, em viagens malucas, em shows épicos. Conheci Lisboa, Madrid, Barcelona, Paris <3 e Roma. Conheci até Itu! 

Percebi que tenhos os melhores amigos do mundo, as melhores companhias para qualquer situação. Seja para desbravar o mundo, ouvir música, passar horas no telefone, cantar, ver a lua nascer no céu.

Aprendi também que existem coisas que só podem ser feitas por mim, sozinha, sem a ajuda de ninguém. Como acertar a vida e correr atrás de sonhos. Isso ninguém faz por mim. 

Eu vi um Beatles de perto! Vi o Guernica, vi a Monalisa, vi a Torre Eiffel, o Coliseu, o Papa! Conheci gente nova, pessoas maravilhosas que moram do outro lado do mundo. Também deixei algumas pra trás, por rumos diferentes demais. 

Cada mudança sentida e registrada no coração. Dando mais fôlego e impulso para o próximo passo. Consciente de cada escolha, responsável por cada atitude. Toda decisão gera uma nova realidade com suas particularidades e temos que assumir cada passo dado. 

Ainda tem chão até 2011. Mal posso esperar.

22.11.10

A experiência do amor - show do MacCa

O que vou dividir aqui talvez não possa ser dividido. É uma lembrança de 24 horas atrás, ainda não assimilada pelo sono. E trata-se de uma experiência vivida por milhares, mas para mim tão particular. Muitos ali já tinham visto o ex-Beatle Paul de perto, em 1990 ou 1993. Ou há duas semanas em Porta Alegre. Não, aquilo foi para mim a mais pura novidade. A primeira vez, que marcou mais que tantas outras primeiras vezes de uma vida.

E lá estava eu. Morumbi lotado. Todos cansados após horas de fila. Homens, mulheres, jovens, crianças, senhores de meia idade fãs há anos. Como não se identificar com pessoas com tanto em comum: o amor pela música, pelos Beatles e pelo sir Paul. Em pouco tempo na fila já encontrei conterrâneas do Paraná, um casal paulista muito divertido e um um senhor de Dourados, Mato Grosso do Sul. Todos trocando suas próprias experiências de shows passados, dos livros, CDs, LPs colecionados através do tempo. Incrível perceber que um detalhe possa reunir tanta gente diferente e possibilitar um diálogo aquém de idade, sexo ou origem.  

E o ar vibrava com tanta expectativa. Minutos antes do show começar, a ansiedade coletiva parecia tensionar cada músculo do corpo, prestes a romperem-se. Era sufocante, todos prendiam a respiração. Até que fomos impactados pelo primeiro acorde amplificado por caixas de som, contra-atacado com o rugido da platéia extasiada. Eu não conseguia gritar. O nó na garganta impossibilitava qualquer som. Então, chorei. Chorei pela emoção de ver, não tão de perto, um ídolo que eu amava. Chorei pelas músicas que me tocavam, pelo amor de Paul e Linda, pelas homenagens e pelo pedido de paz. Give peace a chance, baby. Chorei pelos que já se foram. Chorei pelo fim do sonho. 

Mas também fiquei rouca de tanto gritar e dancei como se não houvesse ninguém olhando. Afinal, eram as minhas músicas que estavam tocando. Tantas que me acompanham dia a dia e me fazem sorrir pela manhã. Ou aquelas que me fazer acreditar num amor sem limites. Aquelas que nos inspiram a sermos bons e querermos um mundo melhor. Mesmo que aqueles que as compuseram não sejam exemplo de perfeição, a música tem esse poder e isso já vale. Paul McCartney foi puro amor. :)

9.11.10

Vento de mudança

Nem sei porque vim aqui. Não tenho muito pra falar agora. Tenho pensado muito, mas nada inspirador que me obrigue a escrever pra não esquecer. Mas muitas coisas. Planos. Desejos. Vontades. Mudanças. Não tenho medo. E também nada a perder. 

Prevejo mudanças assim como prevejo a chuva chegando. Ventos fortes de tempestade. Daqueles que mudam o rumo das coisas. Daqueles que anunciam o verão e todas suas cores quentes. Quero abraçar essa mudança. Receber de coração aberto os novos dias.

Passeando por aqui, vi tantos sonhos perdidos, tantas falsas esperanças e princípios esquecidos. Crescer tira pedaços, lapida, molda. Apuramos nossos sentidos. Cristalizamos nossos gostos. Assentamos como poeira. Pra um dia ter que quebrar tudo e recomeçar.

Eis o vento bradando novamente. Virando a vela. Levando-nos para novos horizontes. Sem rumo ou porto seguro. Apenas nos empurrando a favor da correnteza. Em direção ao nosso ponto de chegada. A um destino qualquer.