11.1.10

Não sei escrever

e às vezes
acho que
nem gosto
só teimo
nem rimo
nem calculo
não conjugo
não planejo
só escrevo

Chuva


só te ouço
percussão, contratempo
nessa hora nem te vejo

e te escuto
"vai deitar, dormir"
nessa hora te obedeço

você diz pouco
"me deixa chorar essa noite"
lavar e levar

e eu te acompanho
vou derreter e pingar
escorrer e molhar

me leva contigo
sarjeta e bueiro abaixo
pra debaixo da terra

pra longe
além mar

7.1.10

Mal posso esperar

Mal posso esperar pra te ver começar
ainda está florindo, brotando novamente
e eu sei, tenho certeza,
que dessa vez será diferente

não será como na última florada
em que foi podada antes do tempo
lhe roubaram os ramos e as flores
te privaram de luz do sol e ar puro

agora terá muito mais vida
mais seiva e anéis
será forte e verde
raízes profundas e sedentas

vai florir como nunca
dar frutos e sementes
sorrir em todas as estações
servir de sombra e morada

Obrigado...

4.1.10

Centelha

Sinto que falta alguma coisa. Mas na verdade ela está ali. Apenas sem uso, abandonada no fundo. Mas é dela que preciso. Ela é o princípio de tudo. Ela impulsiona o mundo. Aquela partícula. Incandescida. Sem ela não há vida.

Quanto tempo


quanto tempo não te vejo
e mesmo assim te almejo
perco as noites pensando em ti

nos teu movimentos
na tua leveza
papel e caneta

quero escrever e não consigo
tento e nada me vem
triste sina de poeta sem imaginação


3.1.10

Bom dia