6.3.09

As próximas horas serão muito boas

Mude uma coisa no seu dia, e todo o resto será diferente. Pegue outro ônibus, vá num horário diferente, pegue uma rua incomum. Você vai perceber que encontrará pessoas novas, conhecidos que há tempos não via. Hoje foi um dia de reencontros, amigos trazendo notícias do além mar, novidades e risadas. Bom saber que aqueles que não vemos com frequência ainda nos são próximos e acolhedores.

Hoje foi um dia que fez a diferença. e ainda estamos apenas na metade.

5.3.09

Nostalgia

Não sei explicar o que senti. Queria entender o motivo. Já foi há tanto tempo e muito se passou depois daquela época. Mas foi inevitável respirar aquele ar sem ver. Aquela gigante presença, maciça, quebrando as barreiras do tempo para infiltrar-se em minhas memórias. Seus gramados e bancos na praça. O imponente ipê-roxo que floresce no inverno. As salas repletas de almas. Por que me chamas quando eu passo? Já teve um pouco de mim em sua história.

Forças magnéticas me puxam enquanto passo na rua ao lado. E ao chegar no fim da quadra, fito sua fachada. Em segundos, as vozes dos rostos que pulam em minha mente falam comigo. Por trás de suas paredes conheci a vida. Descobri verdadeiros amigos-irmãos. Que falta eu sinto. Tanta que evito me aproximar. Raras são as vezes que venho a ela.

Mas hoje eu estava sozinha. Acompanhada apenas por minhas memórias. A nostalgia me encontrou na esquina e seguiu pela rua comigo. Ela me contou histórias que já esquecera. Apontou e sorriu para pessoas que já não estavam lá. É uma saudade imensa que teimo em visitar. Porque ela ocupa mais cômodos da mente do que deveria. Já faz parte dos ossos e sangue.

De vidro

Queria-te cristalizado em um domo
para ver-te e cuidar-te
e para proteger-te do mundo

nem precisava
já parecia jazer pálido em uma bolha
tão jovem e tão cheio de ferrugem
sem máculas ou malícia

e hoje percebo o egoísmo
não eras para mim

saiu pelo mundo
deixou o casulo
e agora percebo que é forte
que te faltava experimentar a vida

quis privar-te para manter a inocência
para que não precisasse sair debaixo das asas
ingênua era eu nessa história

4.3.09

Perfeição

Se nos esforçamos, não somos nós mesmos
Se não nos importamos, somos desleixados
Se bancamos o tal, estaremos mascarando
Afinal, como saber quem somos?

2.3.09

Cuidado com o que deseja

A contradição faz parte dos pedidos
às vezes é uma complicação antecipada
tentar evitar o próprio destino
e não se enforcar com a nossa própria corda

A garota que não se importava


Havia dias de sofrimento e dor, sim. Mas eles eram breves como lufadas de ar fresco no verão. Ela escolhia, então, não sofrer. Não pensar no assunto. Ela gostava que lhe chamassem por outro nome, era maluca e queria roubar cones das ruas.

Era tudo mais fácil para ela. Ela dançava e pulava como se ninguém olhasse. Cantava desafinada e batia palma. Não existia tempo ruim quando ela assim decidia. Inconsequente? Talvez. Mas ela era mais feliz nestes dias. Dias de eterno azul e pôr-do-sol alaranjado.

E ela dizia sim. Sim para a vida, sim para olhares curiosos. Ela não tinha medo de nada. Horizontes e amanhãs eram pretextos para fugir de casa. Eram portas abertas que ela não receava adentrar. Ela não tinha nada a perder.

Encontrei-a algumas vezes. Após o terceiro copo de cerveja. Um relance no espelho. Mas ela ficava pouco, preferia andar sem rumo, à procura da metáfora perfeita. Ela sorria sem motivo, gargalhava para sair de cena. Lembro bem do dia em nada importava. E ela nem sabia. Mas era mais fácil.

Hoje, em que tudo merece importância, ela resolveu ir embora.

Conversa com meus botões

Chega de drama... e alcool...